sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Poeta - Teixeira de Pascoaes



Segue um belo poema de Teixeira de Pascoaes (pseudónimo de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos ) , um dos mais destacados representantes do saudosismo e um dos líderes da "Renascença Portuguesa", dirigindo, inclusive, a seção literária do principal órgão deste movimento, a revista "Águia".


Poeta

Quando a primeira lágrima aflorou

Nos meus olhos, divina claridade

A minha pátria aldeia alumiou

Duma luz triste, que era já saudade.

Humildes, pobres cousas, como eu sou

Dor acesa na vossa escuridade...

Sou, em futuro, o tempo que passou-

Em num, o antigo tempo é nova idade.

Sou fraga da montanha, névoa astral,

Quimérica figura matinal,

Imagem de alma em terra modelada.

Sou o homem de si mesmo fugitivo;

Fantasma a delirar, mistério vivo,

A loucura de Deus, o sonho e o nada.

2 comentários:

Henrique disse...

Obrigado por colar o poema, e viva o lídimo poeta!

Susana Rocha Relvas disse...

só indo ao Marão se entende, em profundidade, as palavras do poeta.